Programa de Aceleração… do quê mesmo?
Vimos nos capítulos anteriores que odiar o futuro deu certo. O Brasil está mesmo estagnado em termos de produtividade. O dinheiro público vaza de muitos modos.
A novela simplesmente narrou o que falam os números da economia.
Estamos muito longe de programar investimentos que sejam capazes de agir como transformadores da realidade. Imaginar caminhos nesta direção está fora da zona de conforto do Presidente. O Ministério do Planejamento, uma segunda opção, não tem espaço político. E instituições como o FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos – são cartas fora do baralho quando deveriam ser protagonistas. Hoje, a energia de toda a estrutura do Executivo para “pensar o futuro” se esgota em nomeações e redesenho dos Ministérios para acomodação de interesses não do país, e sim dos políticos.
Mas e o PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento não anunciou “investimentos” de R$1,7 trilhão? O primeiro sinal de que há algo de errado é este valor estratosférico. O segundo sinal aparece quando se acessa documentos oficiais, e eles apresentam “Investimentos por Estado”.
Conteúdo disponível em https://www.gov.br/secom/pt-br/pertodevc .

Obviamente, o relatório não trata de “investimentos” mas de “custeio”.
Acionando um Estado qualquer, PE por exemplo, aparecem os recursos destinados para Bolsa Família, Área Cultural, Auxílio Gás, Internet para Escolas, Piso de Enfermagem e por aí vai. Soma até o pagamento do INSS para aposentados!
No Poder Legislativo também poucos representantes se interessam pelo tema “investimentos”. Balizar caminhos de interesse nacional seria seu espaço. Mas o tema não merece nem mesmo um “arcabouço”!
No caso de Pernambuco, por exemplo, os investimentos poderiam conter algo como “FINEP financia estudos para uso de tecnologia do frio”. Objetivo: reduzir perdas nas exportações de frutas nas plantações de Pernambuco.
A irreverente trupe inglesa “Monty Python”, em seu filme “O Sentido da Vida”, apresenta uma coleção memorável de esquetes. Algumas delas são facilmente transportadas para nosso cotidiano.
Uma mulher entra de maca na sala de parto. É completamente ignorada por médicos e enfermeiros. Examinam com interesse novos equipamentos que acabam de chegar e esquecem a grávida.

Neste momento entra o diretor do hospital. Feliz, anuncia que seu empenho para arranjar mais equipamentos foi atendido! Seguem-se palmas entusiasmadas. E a grávida esperando…

Uma cena que os políticos brasileiros entenderiam: estar presente na inauguração de qualquer coisa para ser seu padrinho! Mesmo que a ocasião não seja apropriada.
Mas, algum investimento sério deve estar sendo arquitetado, pensa um otimista. E completa: por exemplo, aqueles atrelados a investimentos estrangeiros, como a nova fábrica de carros elétricos na Bahia. Sim, este empreendimento também está no PAC – Programa de Aceleração da China.
A conclusão inevitável desta novela: se quisermos ter futuro precisamos romper com a cultura política que nos imobiliza. Precisamos renascer como Nação praticante de uma Política Moderna.
Os fundamentos da Política Moderna, segundo a percepção do Movimento GRITA!, serão apresentados nesta seção da newsletter. Mais adiante, serão acessíveis em publicações. Servirão como bússola.
A Política Moderna ama o futuro.
Esta série literária foi inspirada em fatos reais.