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O #GRITA promoverá Code Dojo PHP em 3 etapas começando neste sábado!

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Olá pessoal! Um dos papéis fundamentais do #GRITA é a promoção do conhecimento, compartilhamento de ideias, habilidades e competências por meio de Software Livre, Recursos Educacionais Abertos e outros meios que possa alavancar o cidadão no mercado de trabalho, promovendo cidadania.

O #GRITA estaGRITArá ministrando na Semana Acadêmica da Faculdade JK Unidade de Santa Maria-DF um Code Dojo PHP com o tema “Teclando com o coração”. Será feito em 3 etapas, a primeira será neste sábado dia 01/11/2014. As outras serão divulgadas em breve. Veja e participe!

Então vai perder essa? Claro que não! Não perca, participe, vagas limitadas.

Mais detalhes acesse: Code Dojo PHP – Teclando com o coração! Sábado na Semana acadêmica JK Santa Maria.

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Mas por que participar de uma comunidade ?

“A força da inteligência coletiva de uma rede é sempre maior que a força de um único ponto ou nó, pois todo o saber está na humanidade.” (Ronald Costa, 2014)

Certo dia, recebi esse questionamento de um aluno. Por que participar de uma comunidade de Software Livre (SL) ou Tecnologias Abertas? Fiquei pensando. Como formular uma resposta adequada?

A resposta mais rápida que me veio à mente foi que se trata de um ato de participação social! Sim, pois como cidadão todos desejamos contribuir para que as novas tecnologias, como ferramentas livres e abertas, ampliem a cidadania e a participação efetiva da sociedade em seu próprio desenvolvimento. Porém, talvez, para alguns estudantes, essa não seja a resposta mais motivadora, embora, eu realmente achasse que deveria ser.

Avançando em nossa reflexão, a resposta dessa pergunta dá todo o sentido para a existência do Software Livre e para a necessidade de aproximá-lo ainda mais da Educação. Essa corrente de pensamento nasceu a partir da proposta de liberdade, onde se pode: copiar, estudar, modificar e redistribuir um software. Ela apresenta ao usuário novas possibilidades. E por que não experimentá-las no contexto educacional?

O Software Livre permite ao cidadão, além da possibilidade de uso, a opção de participar da construção do software. É claro que a participação nessa construção depende de interesse, conhecimento e curiosidade. Esse é um detalhe importante. De maneira diferente do modelo proprietário tradicional, neste caso, o usuário de SL pode se tornar autor e criar novas tecnologias inovadoras. Pode experimentar, abrir e ter acesso à receita do bolo, ou seja, pode conhecer realmente como as coisas funcionam naquela tecnologia aberta. Ao usar um Software Livre no Ensino Superior abrimos a possibilidade de iniciar um círculo virtuoso de colaboração e de construção de novos conhecimentos dentro do contexto educacional. Podemos a partir de tecnologias abertas agregar valor ao processo de construção do conhecimento.

As novas tecnologias surgem a partir do processo de inovação e de curiosidade. Surgem da necessidade de resolver problemas. São o motor do crescimento e a porta para a oportunidade de mudança e crescimento, especialmente para países que atualmente estão na condição de meros mercados consumidores. A lógica global impõe que alguns países produzam tecnologias e outros sejam simples espaço de adoção e uso dessas tecnologias. Faça uma rápida reflexão: O que você pode fazer com um Software Proprietário? A resposta é clara: Apenas utilizar. Ser um bom, ótimo e excelente usuário! Nada mais que isso. É saber usar e nada mais. É apenas consumir…

A lógica mercantilista do ambiente proprietário e sua forma de licenciamento não nos permite estudar o seu funcionamento, colaborar, criar ou inovar tendo por base o software comprado (a tecnologia adquirida). Não há como compartilhar ou redistribuir modificações. Estaríamos incorrendo no crime de contrafação (pirataria). É claro que a realidade hoje, comumente aceita em nossa sociedade (ainda que não declarada) é usar, mesmo que pirata. Em nosso cotidiano temos acesso fácil a feirinhas de importados, downloads e cópias não autorizadas. Quem não usou um software sem licença, ou fez um download de um filme em torrent que atire a primeira pedra. Fácil não? Ético? Claro que não. Agora, pensando pela ótica do grande fabricante isso é o que há de melhor! Afinal, quanto mais pessoas usam e experimentam, ainda que por meio de uma cópia pirata ou desautorizada, e se tornam condicionados e dependentes desse produto, melhor! A lógica do vício e de da dependência se consolida. A lógica do experimentar com baixa ou nenhuma qualidade. Saciar a necessidade pura e simples de burlar regras ou se colocar no mercado como um excelente usuário de tecnologias prontas. Não há necessidade de ao menos compreender o que está fazendo. Só sei usar esse, diz o aluno. “Por que vou reaprender tudo? Não tenho de compreender como tudo funciona! Esse é só usar! Esse todo mundo usa”. Não há nada errado em usar uma tecnologia, mas não podemos pensar apenas em ser usuários.

Não é incomum receber na coordenação de um curso superior tecnológico a proposta para afiliar a Instituição de Ensino Superior à diversas “parcerias” para uso liberado (gratuito ou com diversos benefícios de licenciamento) de softwares proprietários. É um momento ímpar, onde o mercado vislumbra a possibilidade de perpetuar seu ciclo de vendas. Afinal, aluno formado em ferramenta, acaba pelo menos endossando a compra desse mesmo software quando estiver no mercado de trabalho. Mas a academia não é para formar profissionais que conheçam os conceitos e o por que as coisas funcionam de determinada forma? Para construir novos conhecimentos, novas tecnologias e inovar? Ou é para capacitarmos apenas em ferramentas? Formar excelentes usuários ou consumidores?

A pergunta feita no início é a base para a continuidade e sustentação do Software Livre. Não basta apenas usar. É preciso participar. É preciso colaborar, contribuir e devolver alguma contribuição pelo que foi utilizado. É preciso reinventar, transformar, mixar! Precisamos abrir novas frentes de continuidade de trabalhos já iniciados. É preciso dar asas à imaginação e contribuir com a retroalimentação desse processo. Precisamos quebrar a barreira do apenas usar, condicionamento adquirido com o software proprietário e com a lógica de mercado consumidor, e passar ao participar, colaborar e contribuir efetivamente. Mas como mudar esse comportamento? Como mudar essa cultura? Penso que, como educador, isso deva começar realmente na Educação, em todos os níveis.

Como professor acredito no processo educacional. Apresentar aos alunos esse processo colaborativo de estudo, de construção e compartilhamento de conhecimento em nosso ambiente educacional é fundamental. Precisamos transpor a filosofia do Software Livre para o processo educacional. Nada como promover e envolver o corpo discente e docente em atividades que respirem esse sentimento e que demonstrem aos alunos e aos professores que colaborando e compartilhando conhecimento vamos muito mais longe e aprendemos muito mais. A curiosidade se aguça quando podemos ver como tudo funciona. O emprego de ferramentas livres em todos os contextos educacionais, desde a construção de textos em disciplinas, como para debates, desenvolvimento colaborativo, para modelagem de processos, projetos, redes, administração de servidores e tudo mais que for possível. Não é apenas usar, e ir além. É tentar contribuir para alguma comunidade. É devolver algo. É permitir ao aluno construir e colaborar nesse processo.

Eventos e comunidades de tecnologias abertas permitem que o aluno vença suas barreiras e medos, seja como autor, palestrante, guia ou instrutor (oficineiro no jargão das comunidades de prática) ao compartilhar um pouco do seu conhecimento já aprendido. Permite atingir a transdisciplinaridade, ao ter contato com outras perspectiva para além da sala de aula. Quando um professor demonstra as possibilidades de uma tecnologia aberta ao aluno e o que pode ser construído e reconstruído a partir dela, está quebrando o círculo vicioso do “mero usuário” e da “lógica do mercado”, demonstrando como seu discente pode fazer parte de um novo círculo virtuoso das tecnologias abertas.

O estudo com participação real em comunidades de SL permite a construção colaborativa de respostas à problemas e a materialização da ajuda mutua, ou seja, eu ajudo e recebo ajuda (círculo). Esse caminho leva o aluno a outros níveis de colaboração, percepção e construção do conhecimento. É o aprender a aprender se concretizando. É ter a certeza de que o aprendizado não tem fim. As comunidades, os grupos, as redes de estudo são vitrines concretas para que o estudante demonstre seu potencial. São nelas que eles se apresentam ao mercado, buscam oportunidades, constroem sua imagem profissional, estabelecem relações construtivas com outros profissionais e visualizam o que ocorre realmente no mercado profissional. Verificam o que o mercado espera em termos de competências e habilidades.

Não basta apenas falar sobre o uso de tecnologias abertas e software livre no ensino superior. Precisamos ir além, e demonstrar que sua filosofia também pode ser aplicada na Educação. Nosso aluno do ensino superior não pode ser apenas um mero usuário. Ele precisa conhecer os princípios que estão envolvidos em sua construção de conhecimento aberto. As ferramentas ajudam, ainda mais quando são abertas, éticas e livres! As comunidade também contribuem nesse processo de aprendizado e renovação. A manutenção e o crescimento das tecnologias abertas como base tecnológica também dependem do nosso envolvimento como cidadãos. O Software Livre e as tecnologias abertas crescem a partir das participações e contribuições. Precisamos avançar!
Prof. Ronald Costa